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O projeto Desigualdades Corporificadas do Antropoceno reúne conhecimentos ambientais, indígenas, biossociais, multiespécie, de gênero e teóricos em Antropologia Médica, com o objetivo de ampliar o engajamento interdisciplinar sobre como a era do Antropoceno impacta a saúde humana. Nosso grupo alinha interesses e expertises em diversos campos de investigação relevantes para as desigualdades corporificadas do Antropoceno, incluindo gênero, justiça e poder, saúde indígena, bem-estar e sustentabilidade.

 

Prof. Sahra Gibbon 
Professora

UCL, Reino Unido

Sou antropóloga médica, formada no Reino Unido e atuo no Departamento de Antropologia da UCL. Grande parte do meu trabalho inicial concentrou-se na análise das culturas da biomedicina no Reino Unido e, posteriormente, em Cuba e no Brasil, com foco especial em questões de gênero, cidadania, saúde pública e desigualdades.

Tenho me envolvido cada vez mais com a forma como exposições e contextos ambientais vêm sendo considerados relevantes em diferentes campos da ciência e da medicina. Estou comprometida com intervenções construtivas que garantam que a antropologia médica possa contribuir de forma mais eficaz para o desenvolvimento da ciência biossocial, não apenas no contexto da pesquisa, mas também no ensino e na formação.

Atualmente, participo de pesquisas colaborativas em Portugal, Países Baixos, Brasil e Reino Unido, com foco em estudos de coortes de nascimento. Como uma das co-coordenadoras do Reino Unido e da UCL no projeto Desigualdades Corporificadas do Antropoceno, trago um compromisso com o diálogo interdisciplinar mais amplo, com a convicção de que a troca, o diálogo e o aprendizado com e entre diferentes tradições antropológicas são essenciais. Este projeto está alinhado com meus interesses de longa data nas histórias contemporâneas da saúde pública e da medicina social na América Latina, na relação entre justiça reprodutiva e ambiental, e em como as toxicidades químicas nos alimentos e nos ambientes mais amplos constituem dinamicamente os corpos, as dinâmicas intergeracionais e a política da saúde.

Dra. Laura Montesi
Pesquisadora CONAHCyT

CIESAS, México

Sou uma antropóloga médica binacional e multilíngue, atuando como pesquisadora do CONAHCyT (Conselho Nacional de Humanidades, Ciências e Tecnologias) no CIESAS (Centro de Investigações e Estudos Superiores em Antropologia Social), no México. Tenho um grande interesse por alimentação e comensalidade, além de uma profunda preocupação com a forma como o capitalismo reduz a biodiversidade, expropria saberes alimentares locais e indígenas, e afeta corpos, vidas e relações.

Como antropóloga social e médica, venho trabalhando em Oaxaca, no sul do México, especialmente em áreas rurais com grandes populações indígenas, onde tenho documentado o sofrimento social que condições crônicas, particularmente o diabetes mellitus, incorporam e expressam. Minha pesquisa entrelaça experiências vividas de saúde e doença, enraizadas culturalmente, com o funcionamento de forças sociais mais amplas.

Tenho interesse nas interseções entre saúde, desigualdades e o desenrolar cotidiano da violência. O diabetes mellitus é a lente encarnada por meio da qual reconheço diversas (hi)stórias sociais marcadas pelo e que (des)constroem o Antropoceno. O diabetes trata de epistemicídios alimentares, de metabolismos humanos e não humanos alterados, de toxicidade e perturbações corporais, do colapso climático e das incertezas alimentares.

No entanto, também trata de cuidado, ativismos alimentares, defesa da terra e do cultivo cotidiano de relações interespécies.


Dra. Ivana Teixeira
Pesquisadora de Pós-Doutorado

UFRGS, Brasil

Sou antropóloga com foco nas questões de corpo e saúde, formada no Brasil (PPGAS/UFRGS) e na França (LAS/Collège de France), trabalhando como pesquisadora no projeto Desigualdades Corporificadas do Antropoceno. Também sou pesquisadora de pós-doutorado no Departamento de Antropologia da UFRGS e na Universidade Técnica de Berlim, trabalhando no projeto Planet-ability: Integrando a saúde planetária e a coabitação multiespécie no design e na pesquisa urbanos.

Em geral, minha pesquisa se concentra na relação homem-animal e nos efeitos incorporados da lógica neoliberal e colonialista na América do Sul, bem como no surgimento de novos arranjos técnicos e ecológicos relacionados a questões de saúde e relações humanas e não humanas em contextos rurais e urbanos. Minha pesquisa de doutorado foi realizada no Brasil e na França, examinando o contexto sociocultural do desenvolvimento de técnicas terapêuticas que mobilizam a natureza como agente de cura, especialmente as mudanças tecnológicas e epistêmicas nas práticas humanas e não humanas, a partir de uma etnografia multiespécies no contexto de metrópoles como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Paris. Em seguida, realizei uma pesquisa de pós-doutorado no Brasil abordando as mudanças técnicas no sistema biomédico relacionadas à epidemia de Covid-19 no trabalho de enfermeiros em Unidades Básicas de Saúde Pública. Depois, trabalhei como pesquisador em um projeto de pesquisa focado nas respostas das comunidades indígenas e de imigrantes às técnicas de controle de saúde administradas pelo Estado brasileiro.

Como parte de meus compromissos atuais, estou examinando a incorporação de problemas de saúde derivados da lógica antropocêntrica da indústria da carne na região do Pampa, no extremo sul do Brasil. Trabalhando a partir da perspectiva da etnografia multiespécie, tenho me concentrado na maneira como o Antropoceno afeta as relações vitais multiespécies e nas ações coletivas de autocuidado implementadas pelos habitantes do pampa, diante dos imperativos impostos pela indústria da carne e pelas mudanças climáticas.

Dra. Gabriela Martínez Aguilar
Pesquisadora de Pós-Doutorado

CIESAS, México

Sou doutora em Desenvolvimento Regional e Tecnológico pelo Tecnológico Nacional do México e, desde 2014, venho documentando o campo da medicina tradicional e suas práticas de cura nos Vales Centrais de Oaxaca, com o objetivo de evidenciar a urgência de sua proteção legal sob a perspectiva da “propriedade intelectual sui generis”, uma vez que o Estado mexicano a reconheça na Constituição como um direito a ser exercido por populações praticantes e não praticantes.

Dei continuidade à minha pesquisa por meio de um pós-doutorado em Gênero e Saúde no sul do México, coordenando o projeto “Protótipo de Banco de Dados das Medicinas Tradicionais no Vale de Tlacolula de Matamoros, Oaxaca”, que busca contribuir para os processos de defesa legal dos Saberes Tradicionais a partir das comunidades indígenas e de seus detentores: curandeiras, parteiras, herboristas. Paralelamente, documentei as respostas locais que as medicinas tradicionais, em seus contextos rurais, ofereceram para enfrentar os diversos desafios de saúde durante a pandemia de Covid-19, após terem sido deixadas à margem dos serviços médicos governamentais.

Atualmente, sou pesquisadora de pós-doutorado no Centro de Investigações e Estudos Superiores em Antropologia Social (CIESAS), no México. Meus interesses, no âmbito do Projeto Antropoceno, buscam contribuir, a partir da Antropologia Médica, para a compreensão das afetações que a atividade antropocêntrica tem causado sistematicamente na vida das sociedades rurais — particularmente sobre as mulheres e suas famílias, cujas atividades socioeconômicas estão ligadas às práticas agrícolas — e investigar os impactos sobre sua saúde a partir de uma perspectiva interdisciplinar.

Linhas de pesquisa: 1) Propriedade Intelectual Associada aos Saberes Tradicionais e às Expressões Culturais, 2) Medicina Tradicional sob a Perspectiva de Gênero e Saúde.

Prof. Paola Ma. Sesia
Professora 

CIESAS, México

Sou professora titular e pesquisadora no Centro de Investigações e Estudos Superiores em Antropologia Social (CIESAS), no México. Sou antropóloga médica e especialista em saúde pública, com doutorado em Antropologia Sociocultural (Universidade do Arizona, EUA, 2002), mestrado em Saúde Pública (Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA, 1987) e bacharelado em História (Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA, 1982).

Meus interesses de pesquisa concentram-se em saúde reprodutiva, mortalidade materna, violência obstétrica, parteiras tradicionais, políticas de saúde e povos indígenas no México. Também investigo os impactos da era do Antropoceno sobre populações em situação de vulnerabilidade estrutural na América Latina. Realizo pesquisas com engajamento político, a partir de perspectivas de direitos humanos, justiça social, reprodutiva e ambiental, gênero e equidade.

Sou autora, coautora ou organizadora de mais de 90 publicações, incluindo artigos, capítulos de livros e livros. Minhas publicações recentes (em inglês) incluem: Antropologia Médica Crítica: Perspectivas da América Latina (2020, coorganizado com Gamlin, Gibbon e Berrio); Vozes globais por justiça (epistêmica) global: Destacando as contribuições teóricas e ativistas da América Latina na luta pelo direito à saúde (2023, Health and Human Rights Journal); A parteira indígena revisitada em tempos de COVID-19: A construção da saúde materna global e algumas lições antropológicas do sul do México (2024, Routledge Handbook of Anthropology and Global Health).

No projeto EIA, meus interesses se concentram nas interseções entre justiça ambiental e reprodutiva, toxicidade e saúde, COVID e pandemias, e nas ontologias dos povos indígenas em relação à saúde.

Dra. Jennie Gamlin
Professora Associada

UCL, Reino Unido

Sou antropóloga médica com formação em Estudos Latino-Americanos (UNAM, México), Demografia e Saúde (LSHTM) e Saúde Global (Doutorado, UCL). Grande parte da minha formação acadêmica ocorreu no México, onde me envolvi profundamente com antropólogas médicas críticas, antropólogas feministas e teóricas críticas e decoloniais.

Meu trabalho tem se concentrado na investigação das desigualdades em saúde, gênero e identidade indígena, utilizando métodos da etnografia feminista para compreender dinâmicas de poder e a construção de desigualdades de gênero na saúde, especialmente em torno da saúde materna, reprodutiva e da violência de gênero. Teoricamente, atuo a partir de uma perspectiva crítica, incorporando a economia política à análise e interpretação, conectando realidades locais de saúde com dinâmicas globais de poder. Busco politizar dados e achados para que possam ser compreendidos em relação à globalização, ao colonialismo e à colonialidade do ser, ao patriarcado e à racialização — articulando como essas estruturas de poder operam para manter desigualdades.

Minha pesquisa atual trata da colonialidade de gênero em comunidades indígenas Wixárika, no noroeste do México, com as quais trabalho desde 2010. Em colaboração com historiadores do CIESAS Occidente (México) e pesquisadores Wixárika, estou examinando evidências históricas e etnográficas de contato com representantes institucionais para entender como as estruturas sociais de gênero se transformaram ao longo do tempo.

O projeto Desigualdades Corporificadas no Antropoceno insere meu trabalho em diálogo com a etnografia multiespécie, produção de alimentos, justiça reprodutiva e ambiental, e paisagens de desigualdade — com o objetivo de considerar como questões ontológicas e saberes indígenas podem informar protocolos de pesquisa, políticas públicas e a compreensão social do Antropoceno.

Prof. Ceres Victora
Professora

UFRGS, Brasil

Sou professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordeno o Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (NUPACS) na mesma instituição. Tenho experiência em pesquisa e docência na área da antropologia médica, com foco nos seguintes temas: desigualdades em saúde, sofrimento social, violência, emoções e desastres no estado mais ao sul do Brasil.

Meus estudos com populações urbanas em situação de pobreza e com povos indígenas residentes em centros urbanos evidenciam como esses grupos vivenciam, em seu cotidiano, as desigualdades do Antropoceno.

Dra. Nehla Djellouli
Professora Assistente

UCL, Reino Unido

Sou professora assistente de Saúde Global no Instituto de Saúde Global da University College London (UCL). Tenho formação em ciências sociais e sou comprometida em trazer as vozes das pessoas para o centro das pesquisas, políticas e programas que lhes são direcionados.

Como metodologista qualitativa, minha pesquisa tem se concentrado em como políticas e programas de saúde são implementados — e com quais impactos (ou ausência deles). Minhas áreas de atuação incluem: saúde materna e neonatal, participação pública, HIV/AIDS, qualidade do cuidado, grandes reconfigurações dos serviços de saúde, saúde mental, COVID-19 e saúde planetária.

Como parte da colaboração Desigualdades Corporificadas no Antropoceno, gerenciei o projeto e liderei o design e o desenvolvimento do site e da ferramenta de aprendizagem do EIA.

Prof. Jean Segata
Professor

UFRGS, Brasil

Sou professor do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuando nos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social e em Psicologia Social e Institucional. Coordeno o Centro de Antropologia Multiespécies e a Rede Humanidades Covid-19 MCTI, por meio dos quais desenvolvo e coordeno pesquisas sobre os efeitos desiguais de eventos críticos em saúde e meio ambiente.

Além do Brasil, minha experiência em ensino e pesquisa inclui períodos como pesquisador visitante na Argentina, no Centro Nacional de Diagnóstico e Pesquisa em Endemias-Epidemias (CeNDIE, Ministério da Saúde) em 2017; nos Estados Unidos, no Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos da Brown University em 2018; e na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard em 2024.

Atualmente, também atuo como professor honorário no Departamento de Antropologia da University College London (Inglaterra) e sou pesquisador nível 1D do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil).

Dra. Maria Paula Prates
Professora Assistente

University of Oxford, Reino Unido

Sou uma antropóloga social brasileira-uruguaia que trabalha com temas relacionados à saúde, doença e cuidado. Cresci no bioma Pampa, na América do Sul, e fui formada no Brasil (PPGAS/UFRGS) e na França (LAS/EHESS). Em 2021, ingressei no Departamento de Antropologia da University College London (UCL) como pesquisadora em Antropologia Médica do Antropoceno, no âmbito do projeto Desigualdades Corporificadas no Antropoceno (EIA).

Ao longo da minha trajetória, venho trabalhando com e entre Povos Indígenas da América do Sul de terras baixas, com destaque para uma colaboração de longo prazo com os coletivos Guarani-Mbyá do extremo sul do Brasil. Me posiciono como uma antropóloga implicada, com compromissos pessoais e políticos com os direitos dos Povos Indígenas em geral, e das mulheres indígenas em particular. As parteiras indígenas — ou “aquelas que banham”, como dizem os Guarani-Mbyá — são minhas principais interlocutoras desde a monografia de graduação em Ciências Sociais. Até hoje, a maioria dos meus projetos de pesquisa está relacionada às práticas de parto e às questões ontológicas que envolvem ou são suscitadas pelos encontros entre saberes biomédicos e xamânicos.

Os sistemas públicos de saúde e a forma como as políticas de “cuidado diferenciado” e “cultura” são implementadas e enquadradas nesses contextos também fazem parte dos meus interesses de pesquisa.

Nos últimos anos, após coordenar projetos sobre COVID-19, tuberculose e saúde (re)produtiva — e integrar o projeto EIA — venho me dedicando com mais ênfase às desigualdades em saúde e à incomensurabilidade/composições entre os entendimentos indígenas e biomédicos sobre vida e saúde. Os artigos e o segundo livro aos quais estou atualmente dedicada buscam demonstrar as conexões entre devastação ambiental, medicalização excessiva dos corpos das mulheres indígenas e as violências obstétricas em ambientes hospitalares, como episiotomias não consentidas.

Por meio de estudos etnográficos lentos, cuidadosos, profundos e de longo prazo, meu trabalho busca tornar visíveis conexões que só o trabalho artesanal de coleta de dados aliado a relações de confiança no campo permite captar. Defendo teorias etnográficas enraizadas, que levem a sério aquilo que importa para as pessoas com quem nos relacionamos enquanto antropólogas.

Meus projetos atuais estão focados em: i) COVID longa e as “doenças dos brancos” no Antropoceno (Brasil);
ii) Mulheres indígenas, mudanças climáticas e extrativismo (Argentina, Brasil e Peru).