Vamos falar sobre soberania alimentar e milho nativo

Mesa 2: Soberania Alimentar e Saúde
A disputa em torno do milho transgênico e dos milhos nativos no México apresenta múltiplas facetas: a associação do primeiro com agroquímicos prejudiciais à saúde e com a perda da biodiversidade; o uso massivo de frutose derivada do milho transgênico em alimentos ultraprocessados que, cada vez mais, têm alterado a alimentação tradicional mexicana, causando graves danos à saúde da população; e a defesa legal, política e social dos milhos nativos como parte do patrimônio biológico, histórico e cultural do país.

Esta mesa ocorreu em 30 de maio de 2025 em espanhol. Você pode baixar a tradução em português aqui.
Dr. José Luis García Tavera Pesquisador pelo México da Secretaria de Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação (SECIHTI), comissionado pelo Jardim Etnobotânico do Instituto Nacional de Antropologia e História em Cuernavaca, Morelos. Engenheiro em Ecologia, Mestre em Ciências com especialização em Toxicologia e Doutor em Ciências com especialização em Ciências Marinhas, com foco em ecotoxicologia, diagnóstico ambiental da poluição industrial e restauração de solos e ecossistemas aquáticos. Colaborou no Ecossistema Nacional Informático de Agentes Tóxicos e Processos Contaminantes dos Projetos Nacionais Estratégicos (PRONACES) da CONAHCYT – agora SECIHTI -, professor-pesquisador e chefe do curso de graduação em Engenharia Ambiental na Universidade La Salle, conduziu projetos de biorremediação de solos como responsável em campo e iniciou sua experiência profissional como inspetor ambiental na PROFEPA e consultor ambiental na indústria. Sua experiência na agricultura com milho vem desde a infância, planta com a qual se interessou em testar cruzamentos com diferentes variedades, melhorar esquemas de nutrição orgânica e controlar os danos causados por fitófagos por meio do manejo ecológico. Dr. Alejandro de Ávila Blomberg As raízes de sua família se entrelaçam de Oaxaca a San Luis Potosí e Finlândia. Ele nasceu e cresceu na Cidade do México. É formado em antropologia e psicologia fisiológica pela Universidade de Tulane, em Nova Orleans, mestre em psicobiologia e doutor em antropologia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. É pesquisador pelo México, fundador do Jardim Etnobiológico de Oaxaca, cuja criação propôs em 1993 a convite do professor Francisco Toledo. Atualmente, o Jardim conta com uma coleção de mais de sete mil plantas vivas que representam cerca de mil espécies nativas do estado, além de um herbário, um banco de sementes e uma biblioteca especializada. É curador e consultor do Museu Têxtil de Oaxaca, onde reuniu um acervo de pouco mais de 10.000 peças da mesma entidade, de outras regiões do México e de outros países do mundo. Atualmente, colabora na criação de um novo museu de projeção nacional na Casa del Marqués del Apartado, em frente ao Templo Mayor, na Cidade do México. Dr. Abelardo Ávila Curiel Médico cirurgião pela Faculdade de Medicina da UNAM, mestre em Medicina Social com especialização em Epidemiologia pela UAM; cursou doutorado em Ciências Sociais com especialização em Estudos Populacionais no Colegio de México. Pesquisador em Ciências Médicas do Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán desde 1988 até hoje. Suas principais áreas de interesse são a pesquisa sobre a situação nutricional no México, a desnutrição infantil e os danos à saúde causados por doenças crônicas associadas à má nutrição, bem como o desenvolvimento de Sistemas Informáticos de Inteligência Epidemiológica. Em 2019, recebeu o reconhecimento nacional ao mérito em Saúde Pública, Medalha Gerardo Varela, pelo Conselho Geral de Saúde. Em 2023, publicou o livro “A construção social do sistema de saúde no México”. Dr. José Luis Chávez Servia É professor-pesquisador do Centro Interdisciplinar de Pesquisa para o Desenvolvimento Integral Regional (CIIDIR), unidade Oaxaca, do Instituto Politécnico Nacional. Suas linhas de pesquisa contemplam o resgate, conservação e aproveitamento de recursos fitogenéticos, recursos genéticos subvalorizados e subutilizados, sistemas locais de sementes, sistemas socioalimentares, comunidades indígenas e cultura alimentar. É um dos fundadores da campanha “Sem milho, não há país”, em Oaxaca.

Pontos de Aprendizagem

  • Como o milho geneticamente modificado e os insumos agrícolas, como pesticidas e fertilizantes, estão relacionados na agricultura industrializada e quais são os possíveis efeitos tóxicos que eles têm sobre a saúde dos ecossistemas e das populações humanas e não humanas?
  • Quais são as possíveis ligações entre as epidemias de obesidade, diabetes e tumores em relação aos interesses comerciais desregulamentados da agroindústria?
  • Como o agronegócio, a indústria farmacêutica e as grandes corporações que produzem alimentos ultraprocessados estão relacionados à saúde precária?
  • Por que a redução drástica da diversidade de espécies que acompanha a promoção do milho transgênico e a apropriação dos milhos nativos pela agroindústria podem ser configuradas como “crime cultural”? Explique.
  • Em que consiste o princípio da “presunção” na defesa da inocuidade alimentar e na proteção da saúde?
  • Que medidas de política pública e/ou divulgação de informação podem ser tomadas para defender o milho nativo, além das declarações no âmbito jurídico?